terça-feira, 8 de junho de 2010

MARIA ORTIZ - A PRIMEIRA HEROÍNA DO BRASIL

Juan Orty Y Ortiz e Carolina Darico chegaram à capitania do Espírito Santo, no Brasil, em 1601, numa das imigrações promovidas por Felipe II, rei da Espanha, que, à época da União Ibérica (1580-1640) , dominava Portugal e suas colônias. A filha do casal espanhol, Maria Ortiz (ou Urtiz), nasceu, dois anos depois, em14 de setembro de 1603, na vila de Nossa Senhora da Vitória – hoje a cidade de Vitória. A família residia na parte mais estreita da ladeira do Pelourinho - hoje Escadaria Maria Ortiz -, que era a via de comunicação entre as partes baixa e alta da Vila, num sobrado branco, no qual no térreo seu pai negociava com vinho e mantinha uma taberna. 

O vinho vinha da ilha da Madeira em ancoretas (barris) que ficavam empilhadas na taberna e iam sendo esvaziadas à medida do consumo pela gente da vila. Quando chegava novo carregamento, estas eram substituídas por ancoretas cheias de vinho. Mas nem todas eram substituídas. O prazer de Maria Ortiz, quando criança, era rolar pela ladeira do Pelourinho dentro de uma ancoreta vazia.

Na época em que a Holanda era inimiga mortal da Espanha, que, por sua vez, dominava Portugal, as colônias portuguesas passaram a ser alvo da ânsia de domínio da Holanda em uma onda de ataques que se iniciara em Salvador (BA), em 1624. Assim, o famoso capitão holandês Piet Pietersz Heyn (1577-1629) aportou em frente à Vitória, em março de 1625, aguardando o momento propício para o desembarque. A vila começou a se preparar para resistir ao invasor com as poucas forças que tinha. O ataque decisivo foi no dia 14 de março, através da rampa de acesso à parte alta da Vila, que era a Ladeira do Pelourinho.

Maria Ortiz, nossa primeira heroína, contava com 21 anos de idade. Na manhã do ataque, o pai de Maria, ao sair de casa e fechar a taberna para participar, como escrivão da câmara, de uma reunião de guerra convocada às pressas, recomendara cuidado à mulher e à filha. Finalmente, os invasores, após chegarem à terra, em frente à Ladeira do Pelourinho, e afugentarem a pouca resistência encontrada, lançam-se morro acima, buscando atingir o paço municipal, onde se encontravam os defensores e o seu armamento bélico, para se apossar da vila, e se estabelecer por lá.

Mas, ao atingirem pouco mais da metade da empreitada, num local onde a ladeira se afunilava, justamente em frente ao sobrado de Maria Ortiz, foram surpreendidos pelos ataques da jovem, que lhes jogava água fervendo, enquanto empolgava os vizinhos a lhes jogarem paus e pedras de suas janelas. Ao mesmo tempo, Maria Ortiz, aos gritos, incitava os que se encontravam na parte alta ao prosseguimento da luta. Enquanto açulava os soldados e os populares, com um tição à mão, pôs fogo à peça de artilharia que estava próxima à sua casa, disparando contra os invasores. Os holandeses, pegos de surpresa e feridos, tiveram que retroceder, descendo a ladeira, enquanto os defensores, assim encorajados, foram-lhes ao encalço.

Poucos foram os holandeses que chegaram ao navio sem nenhum tipo de ferimento, sendo que 38 deles foram mortos. A ação surpreendente deu tempo ao donatário da Capitania do Espírito Santo, Francisco de Aguiar Coutinho, de fortalecer as defesas da vila, organizando militares e civis para um novo confronto. Porém, os invasores derrotados, humilhados e desanimados, zarparam quase de pronto, encaminhando-se à Bahia.

A ação daquela jovem corajosa fora tão decisiva, que o donatário da Capitania, destacou-a em carta-relatório enviada, em junho de 1625, ao Governador Geral do Brasil, Diogo Luis de Oliveira: “Na repulsa dos invasores audaciosos é de justiça destacar a atitude de uma jovem moça que, astuciosamente, retardou o acesso dos invasores à parte alta da vila, por eles visada, permitindo assim, que organizássemos com os homens e elementos de que dispúnhamos, a defesa da sede. Essa jovem se tornou para todos nós um exemplo vivo de decisão, coragem e amor à terra. A ela devemos esse valioso serviço, sem o qual a nossa tarefa seria muito mais difícil e penosa. O seu entusiasmo decidido fez vibrar o dos próprios soldados, paisanos e populares na defesa e perseguição do invasor audaz e traiçoeiro”

Enfim, expulsos os invasores do Espírito Santo, seguiram-se as comemorações da vitória. No senado da câmara, numa sessão solene, em meio a discursos e aclamações dirigidas ao rei Felipe II e à Fé Católica, Maria Ortiz foi agraciada, por seu gesto heróico, com uma coroa de margaridas amarelas, posta sobre sua cabeça por seu pai, o escrivão Juan Orty y Ortiz.

Pouco mais se sabe da vida de Maria Ortiz. Segundo Eurípedes Queiróz do Valle, a heroína veio a falecer, em Vitória, a 25 de maio de 1646, antes de completar 43 anos de idade. Em 1889, por influência do escritor Peçanha Póvoa, mudou-se o nome da Ladeira do Pelourinho para Ladeira Maria Ortiz. Mais tarde a ladeira virou uma escadaria e conservou o mesmo nome da heroína capixaba. Ainda hoje a escadaria Maria Ortiz é a principal ligação entre a parte baixa da cidade e a parte alta e Maria Ortiz também ganhou nome de escola e, nos anos 70, numa faixa de terra desocupada próxima ao manguezal, a história da heroína é perpetuada, mais uma vez, com o surgimento de um bairro, em Vitória, que também levou seu nome e que, hoje, é uma região residencial com mais de 11.500 moradores.

FONTES DE PESQUISA:

- Wikipédia, a enciclopédia livre.
- http://www.estacaocapixaba.com.br/index.htm (de Luiz Guilherme Santos Neves em Crônicas da insólita fortuna)
- Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, nº 57 (2003) – (Genealogia de Maria Ortiz)
- DOCUMENTÁRIO SOBRE MARIA ORTIZ - http://docmariaortiz.sites.uol.com.br/index2.htm

DOCUMENTÁRIO SOBRE MARIA ORTIZ

Em 2005, segundo registra o site http://docmariaortiz.sites.uol.com.br/index2.htm foi dado início a um trabalho de pesquisa sobre a vida de Maria Ortiz, com o objetivo de fazer um documentário sobre a heroína capixaba. A Produtora Executiva Nina Cida, “se a Capitania do Espírito Santo foi uma das primeiras a ser colonizada e habitada, desde 1535, por que tão poucas arquiteturas coloniais existem hoje? Será que o esquecimento do passado foi o preço do desenvolvimento da ilha? E daí a pergunta sem resposta definitiva ao olharmos o colégio e a escadaria: Quem foi Maria Ortiz? (clique na fig. ao lado para aumentar) A ausência de resposta associada à nossa curiosidade é o motivo pelo qual estamos realizando esse documentário”. Nina Cida é formada em Jornalismo pela Faesa. Trabalhou como repórter do programa de rádio Fala Capixaba, da Assembléia Legislativa.

A equipe de trabalho é formada por Vinicius Reis (Diretor Formado em Radialismo pela Faesa, com três trabalhos radiofônicos premiados na Expocom e realizador de dois vídeos de ficção); Eliete M. Santos (Ilustradora Formada em Artes Plásticas pela Ufes, que atua na área de projetos de decoração há mais de dez anos); Romilda Reis (Ex-funcionária pública, hoje aposentada, exerce a função de Bordadeira por gosto e confeccionou o bordado do cenário); Sandra Martins (Formada em Jornalismo pela Faesa, trabalha como fotógrafa nos cadernos Estilo e Leve a Vida, do jornal A Gazeta e divide com Nina Cida, a Produtora Executiva, a autoria do livro-reportagem "Que arte é essa?). Amanda Amaral (Colaboradora Responsável pela pesquisa e produção de textos complementares para o site, é formada em Jornalismo pela Faesa e trabalha como repórter do jornal A Tribuna); Marcelo Siano (Colaborador, formado em História pela UFES, atualmente é Diretor Legislativo das Comissões Permanentes e Temporárias da Assembléia); Marcelo Castanheira (Diretor de fotografia, formado em Radialismo pela Faesa, hoje Pós-graduando em Estudos Avançados de Imagem e Mídia pela Cândido Mendes e realizador do documentário ‘Do Outro Lado’); Lucas Bona Fiorot (Editor pós-produção, graduando em Radialismo pela Faesa e já trabalha com edição de programas e criação de vinhetas há três anos); Renato Gonçalves (Responsável pela trilha sonora do documentário. Musicista, formado em Canto pela FAMES e pós-graduando em Musicoterapia pela UFES);



Como a pesquisa não se limita aos livros e à Internet, a construção da personagem se dá também na composição da trilha sonora. Num bate-papo em que o tom da conversa ultrapassou notas musicais e foi parar na análise psicológica da protagonista, o músico Renato Gonçalves afirmou que a primeira palavra que lhe veio à mente foi “Força”. Prova dessa força provocada na sonoridade do nome Maria Ortiz, por exemplo é o fato de seu nome ser cantado no hino da Polícia Militar do Espírito Santo. No documentário, para representar que ela é uma mulher à frente do seu tempo ele quer misturar elementos de música barroca, que é a melodia referencial do século da saga de Ortiz, com a ópera, que teve o seu auge no tempo posterior ao Barroco, no Classicismo. Renato conclui: “A ópera dá um caráter mitológico, que constrói e desconstrói um mito”.

A Internet sempre foi usada como um meio para aproximar pessoas e diminuir as distâncias. Ela também é uma janela para a expressão de idéias, projetos, sonhos. A partir do momento em que expomos nosso projeto na Net, estamos abrindo espaço, através do correio eletrônico, para sugestões, críticas, colaborações e opiniões diversas. Enviar e-mail para docmariaortiz@uol.com.br

Um comentário:

Carla Júlia disse...

maria ortiz é sim uma verdadeira heroina mais quero saber sobre a vida dela o que ela era pelo menos


mesmo asim obrigada vai ajudar no meu trabalho de histoia.

carla julia